Acho que ainda não cheguei a comentar aqui que jogo futebol...!?
Enfim, jogo desde pequenininha, desde quando me entendo por gente.
E desde aqueles tempos - e principalmente naqueles tempos - sempre fui bastante discriminada por praticar tal esporte. Os meninos sempre me escolhiam primeiro para seus times, porém, também colocavam diversos apelidos em mim, "mulher-macho", "sapatão" e afins. Eu ficava pau da vida e batia em todos (talvez um motivo a mais para me chamarem desses apelidos, não?). Engraçado é que ao mesmo tempo eles tinham medo de mim, eu era tipo a "líder", e as meninas...? Bom, as meninas morriam de medo de mim, não falavam comigo por nada. Nunca me preocupei com isso, sempre me dei melhor com os garotos mesmo, e sempre fui um "molequinho". Mas com o passar do tempo, fui crescendo e começando a me arrumar melhorzinha, tentando fazer amizade com as meninas, essas coisas. Eu tinha uma dificuldade fora do normal de me relacionar com pessoas do mesmo sexo, sempre abominei frescuras e meiguices, contudo fiz um esforço para me adaptar. Consegui algumas amigas, inclusive uma menina que eu havia tacado escada abaixo anos antes, e outras que eu já havia dado um surra! Hahahahaha, é engraçado lembrar dessas coisas agora.
E o irônico dessa história toda, é que eu sempre fui muito namoradeira quando pequena, e mais irônico ainda é que os mesmos meninos que me chamavam de "mulher-macho" eram os meus namoradinhos.
Mas continuando minha linha de raciocínio...
Não lembro exatamente quando e pq parei de jogar futebol, mas fiquei anos parada, salvo algumas vezes nas aulas de educação física do colégio.
Esse ano, enfim, voltei a jogar sério, toda semana reunia uma galera para jogar. Quando estava entrando no ritmo, ocorreu um pequeno acidente, fraturei o nariz jogando bola mesmo. Ou seja, mais um tempo parada! Dessa vez foi 1 mês e pouquinho.
O engraçado era a reação de amigos quando eu dizia ter fraturado o nariz jogando bola, claro que ouvi muitas piadinhas infâmes como "isso que dá, mulher quer fazer coisas de homem, acaba se machucando" e blá, blá, blá. Não entra na minha cabeça que nos tempos de hoje, ainda existam pessoas que pensem desse jeito, que por falar nisso, lembrei-me de um amigo meu que tem a mente totalmente fechada, mas esse ficará para um outro post.
Não suporto machismo nem feminismo, vale ressaltar! Todos somos meros mortais e pronto, acabou!
Passando-se esse mês e pouco sem jogar, voltei ao meu compromisso sagrado de toda segunda e quarta, meu amado futebol. Eis que semana passada falando com um cara que conheci há pouco, disse que nos falávamos depois pois eu estava indo para o futebol. Ele super indignado começou com a sessão de perguntas: "ué!!!! Você joga????"; "joga em qual posição????" e a pergunta que me causou dúvidas "francesinha ou só base?". Perplexa com a pergunta e sem entender o que isso significaria dentro do assunto (futebol) retruquei: "francesinha?". Ele: "é, na unha!". Ainda não entendendo o fundamento da pergunta respondi: "francesinha, mas pq? se falasse só base eu poderia ser lésbica?". BINGO!!! Exatamente o que ele respondeu. Fiquei um tanto quanto confusa, como o modo de pintar a unha afeta em minha escolha sexual? E se eu respondesse base, seria lésbica - no ponto de vista dele? Vamos mais além... E se eu não jogasse futebol mas respondesse base? Acho que seria mulher mesmo. (?)
Incrível como as pessoas têm essa capacidade de julgar os outros com tão pouco conhecimento.
Assumo, tem bastante mulheres homossexuais que jogam, eu conheço algumas, mas assim como tem, também não tem! Nada pode ser generalizado!
O povo tem a mente muito medíocre, e infelizmente, acho que será sempre assim!

E salve nossa brilhante seleção brasileira feminina, que têm excelentes jogadoras.

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